Blog de Tradução

22 April 2014

As fronteiras da tradução

O trabalho de tradução e o dia a dia do tradutor

Quem observa o dia a dia de um tradutor no mundo globalizado e altamente tecnológico de hoje, cumprindo prazos curtíssimos, enviando e recebendo arquivos de textos por meio virtual, quando se trata de tradução livre, ou em papel, no caso da tradução juramentada – , passando de uma área para outra num curtíssimo intervalo de tempo, dificilmente imaginaria como seria a vida desse profissional há alguns anos. Há poucas décadas, não havia  internet,  ferramentas de tradução,  e-mail e, indo um pouco mais longe ainda, nem computadores. Imagine um tradutor datilografando um contrato social em uma Remington ou Olivetti, rasgando folha atrás de folha por pequenos erros, ou se deslocando até uma biblioteca especializada apenas para pesquisar um único termo que não constava em seu dicionário ou que nenhum colega de profissão era capaz de esclarecer. Quanto tempo uma tradução assim demoraria? Dias, semanas ou, quem sabe, meses? Obviamente o mesmo tempo que outros tradutores da área demorariam e que seria considerado adequado para o momento. Mas o mundo é inexoravelmente outro.  Muitos benefícios surgiram: ferramentas de tradução, sites especializados, corpora, fóruns de discussão, dicionários digitalizados, equipamentos de todos os tipos. Não faltam recursos para um tradutor transpor fronteiras, encurtar processos, oferecer  serviços fora de sua área geográfica, buscar soluções, trocar informações com pessoas de todos os cantos do mundo, atualizar-se e poder pesquisar em múltiplas plataformas simultaneamente. Por outro lado, os prazos reduziram-se, as exigências e a competitividade aumentaram. Hoje dificilmente os prazos são de semanas, ou dias. Muito comumente são de horas, da noite para o dia, ou, como dizemos no meio ”para ontem”. Embora tanta coisa tenha mudado, os requisitos do profissional da tradução são invariavelmente os mesmos e resistem ao tempo e aos avanços tecnológicos: conhecimento profundo da língua, curiosidade, saber partir do zero sem saber onde se vai chegar, espírito aventureiro para navegar por mares desconhecidos, muitas vezes sob águas turvas e turbulentas, sem conhecer seu destino, experiência e habilidade na solução de problemas e enigmas de forma criativa, sem se contentar com respostas prontas e aparentemente óbvias. É um ser perfeccionista por excelência. E diferente de outras profissões, torna-se cada vez melhor com o passar do tempo, conhecendo melhor suas fontes, se cercando de boas bases. Também divergindo de muitas outras profissões, tende a se tornar menos um especialista e mais um generalista. Dizemos que o tradutor conhece muito de muitas coisas diferentes. Seu leque é ilimitado. Um bom tradutor preza muito a sua reputação, mas se contenta com o papel de coadjuvante. Ele sabe respeitar o autor, tendo em mente que não é nem será protagonista. Seja na tradução técnica, tradução jurídica ou de outra área, a mensagem do texto deve ser transmitida da forma mais precisa possível. E, ao mesmo tempo, não pode soar como tradução. Quanto mais fiel for ao texto e contexto, quando mais à sombra ajudando o leitor a se aproximar do objeto final, melhor terá cumprindo seu objetivo de traduzir o teor, manter o sentido, reescrever a forma. A ideia está lá, e o tradutor é o transmissor de um destino, chegando à uma origem previamente acordada. Embora as habilidades e exigências para se tornar um bom profissional sejam as mesmas tanto no passado mais remoto quanto no presente, sua habilidade para lidar com as ferramentas tecnológicas é cada vez mais um diferencial. Um bom profissional no mundo dominado pela tecnologia precisa saber utilizar softwares de tradução, precisa de rapidez, e também se cercar de boas fontes de pesquisa e validação de busca. Mas enganam-se aqueles que pensam que a internet pode ajudar um tradutor mediano a se aprimorar. Muitas vezes ela é uma grande armadilha porque, já que existe de tudo na vastidão da web, se o profissional não for experiente e não souber pesquisar, ele também comprometerá seu trabalho chegando a conclusões e respostas completamente deturpadas. E um trabalho comprometedor pode ser o início de seu fim profissional. O universo do tradutor pode ser um balanço patrimonial hoje, e amanhã um contrato ou estatuto social. Hoje ele pode se debruçar sobre um processo e passar o próximo feriado na companhia de um prospecto. E as madrugadas podem ser técnicas, e suas manhãs literárias. Pode-se dizer que de rotina e tédio um tradutor não padece. Apesar de tanto saber, seu compromisso é com o silêncio. Ele torna-se quase uma base de dados de vocabulários, semântica, generalidades e pluralidades. Mas sabe que a confidencialidade é seu lema. Todo seu conhecimento soma-se à sua base de dados pessoal, que vai se multiplicando e reproduzindo em seus trabalhos futuros. E quanto mais ampla e consistente essa base, mais versátil, embasado e confiante ele será. Agora se perguntarmos para os mais reconhecidos tradutores quais são seus grande companheiros de jornada, onde reside a chave de seus enigmas, e onde ele encontra certezas para suas dúvidas. A provável resposta que dariam aos iniciantes: cercar-se de boas fontes. E o que seriam boas fontes, aquelas confiáveis, que resistem ao tempo, aos modismos e transformações da língua? O segredo do bom tradutor está no velho e bom dicionário e nos seus glossários. Apesar de alguns bons dicionários estarem disponibilizados em formato eletrônico, grande parte deles ainda se encontra em formato papel. Um tradutor experiente não vive sem seus dicionários de confiança. E quais os dicionários mais recomendados para um tradutor nas diversas áreas da tradução, quer seja uma tradução financeira, científica ou na área de TI?, Quais as melhores bases para cada tipo de tradução?