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Blog de Tradução

21 July 2013

Uso do “corporativês” cresce, prepare-se para falar o idioma da sua área – Parte II

Corporativês – fale o idioma da sua área!

 

PALAVRAS MAIS ‘AMIGÁVEIS’ PODEM SER USADAS PARA ATENUAR UMA RELAÇÃO DE HIERARQUIA 

Não são somente decalques ou neologismos as palavras que entram na moda no mundo corporativo.

Expressões em português passam a ser usadas para designar conceitos diferentes.

Muitas vezes, afirma a professora Alves, é uma maneira de atenuar uma relação.

“Colaborador’ é uma denominação mais amigável do que ‘meu empregado’, pois não marca tanto a relação de superioridade.”

Ela diz que a tendência é semelhante à de chamar um surdo de portador de deficiência auditiva.

“Trata-se de uma sinalização de que o modelo de gestão mudou. É o que acontece quando dizem que [uma empresa] não tem chefes, mas, sim, líderes. O líder tem que cuidar das pessoas”, afirma o professor da FGV João Baptista Brandão.

Brandão adiciona, no entanto, que algumas empresas que usam essas palavras corriqueiramente “claramente não têm práticas condizentes [com esses conceitos], e isso acaba pegando até mal, porque os trabalhadores não são burros e percebem a falta de sintonia com o discurso”.

NA MODA

 

Afegão médio

Consumidor ‘comum’

Agregar valor

Adicionar elementos ao serviço ou produto e, assim, cobrar mais por ele ou se diferenciar dos concorrentes

Alinhar

Sinônimo de combinar

Colaborador

Funcionário, empregado

Disruptivo

Novidade que muda a forma como algo é consumido e revoluciona o mercado

Ecossistema

Conjunto de empresas e produtos de um determinado setor

Entregar resultados

Atingir as metas

Evangelista de uma marca; profissionais da empresa ou consumidores fiéis que se propõem a divulgá-la

Facilitador do aprendizado

Orientador ou profissional que transmite conhecimento

Líder

Sinônimo de chefe

Habilidades comportamentais

Atitude profissional

Proposta de valor

Vantagem que um produto tem frente a rivais

Talentos humanos ou time

Sinônimo de equipe

 

NEM SÓ NOVOS CONCEITOS GANHAM NEOLOGISMO, UMA ROUPAGEM INÉDITA TAMBÉM É BATIZADA

INVENTA AÍ

“A gente cria expressões ou nomes para designar algumas ideias que queremos inspirar”, admite Lucas Liedke, 30, diretor do núcleo de tendências da Box 1824, uma empresa especializada em pesquisa de comportamento para o mercado publicitário.

Ele conta que o propósito da Box 1824 é ir atrás de hábitos, padrões e ideias ainda pouco difundidos que, muitas vezes, ainda não receberam um nome. Por isso, eles mesmos os batizam.

Para achar palavras ou expressões adequadas, diz Liedke, eles fazem um “brainstorm” na agência.

Ele diz ter criado a expressão “consumo do conhecimento” para serviços que entregam dados junto com um produto (por exemplo, as recomendações de títulos que um cliente da livraria digital Amazon recebe depois de comprar lá).

“Muitas vezes são nomes em inglês”, afirma Liedke. A língua estrangeira é usada cotidianamente na empresa muitas vezes com adaptações às necessidades dos publicitários.

Ao estudar o consumo de um novo produto, eles separam potenciais clientes entre os “mainstream” (corrente principal), que são a massa de potenciais compradores, e os “alfa” ou “early adopters”, que são os pioneiros no uso da novidade.

“Em marketing, propaganda e outras áreas relacionadas é bem comum haver criação de termos”, diz Marcelo Pontes, professor da ESPM.

Ele afirma que não só conceitos inéditos ganham neologismo, mas, às vezes, “algo velho ganha uma roupagem nova”. Ele dá como exemplo “storytelling” (contação de história em inglês).

“Não que seja bobagem, mas não é uma novidade. O nome e a inserção em novos segmentos, sim, são novos”, diz.

INGLÊS COM PORTUGUÊS

 

Advocate

Defensor de uma causa; consumidores que gostam de uma marca e a promovem

Assessment

Avaliação; no mercado de RH, o termo é usado para se referir ao processo em que os recrutadores conferem características dos candidatos a uma vaga

Benchmark

Referências; ver o que outras empresas fazem para copiar ou adaptar

Biz dev

Corruptela, inglês, para “business developer” (desenvolvedor de negócios)

Bottom-up

De cima pra baixo; o contrário: uma decisão dos chefes que muda o cotidiano dos trabalhadores

CRM

Customer Ralashionship Management, ou gestão de relacionamento com o cliente; uso de informações sobre um consumidor para fazer ofertas específicas para ele

Engajar o sponsor

Engajar o patrocinador; fazer com que o anunciante ou quem pode investir em uma ação publicitária se entusiasme pela ideia

Quais foram os learnings?

Os aprendizados gerados por uma situação

Terminar os ‘to-dos’

Terminar as tarefas

Supply chain

Cadeia de suprimentos; fornecedores de um produto ou serviço

Talent manager

Gerente de talentos; profissional do setor de RH

Resolver os “pains” do consumidor

Apresentar alguma solução para um problema, uma ‘dor’, na forma como o produto é usado

User-generated content

Conteúdo criado por usuários; produtos ou serviços desenvolvidos a partir de ideias dos clientes

Pipeline

De oleoduto em inglês; processo seletivo para escolher uma empresa na qual investir ou um profissional para contratar

Turnover

Tem vários sentidos em inglês, o mais comum é giro; em RH, usa-se para dizer troca de funcionários de empresa

Reason why

Razão de ser; em publicidade, usa-se para dizer qual o motivo de existência de uma campanha e para justificar promessas; por exemplo: o carro x é mais rápido (promessa) porque o motor é mais potente (“reason why”) 

(Essa é a Parte II da reportagem “Uso do ‘corporativês’ cresce, prepare-se para falar o idioma da sua área”. Leia a Parte I e Parte III também)

POR FELIPE GUTIERREZ

Retirado do jornal Folha de São Paulo, domingo, 24 de março de 2013